Abhiyana
Escritora e podcaster
Literatura erótica e "Textos Putos"
“A prática do amor é o antídoto mais poderoso contra as políticas de dominação”
bell hooks
erōtikós é um documentário que amplia as mitologias de Eros e fala de amor, sexualidade e erotismo em eixos clínicos, estéticos e políticos.
Com uma equipe de mulheres que se propõem a investigar a eletricidade que nos move, acende e potencializa, o projeto cria novas narrativas eróticas a partir de conversas com artistas e pesquisadores que respondem às perguntas "como você se chama?" e "o que te (é) chama?", sustentadas pela escuta íntima da psicóloga e diretora do projeto Maíra Scombatti.
A pesquisa se desdobra em podcasts (com mais de 200 mil plays e presença no Top 20 do Spotify em 2023 e 2024), em um livro e no filme com lançamentos previstos para 2026.
“O erotismo é uma das bases do conhecimento, tão indispensável quanto a poesia.”
Anaïs Nin
Escritora e podcaster
Literatura erótica e "Textos Putos"
Psicólogo e terapeuta de casal e famílias
A escuta do amor e do erotismo na clínica
Poeta, escritora e gestora cultural
De Audre Lorde ao Estado de Libido
Artista Visual
Caligrafias sensitivas e arte erótica japonesa
Psicóloga, pesquisadora e presidente do CRP — RJ
Transições, mitologias Iorubás, e o erotismo na clínica não binária
Artista da dança e da performance
A pelve e o movimento erótico
Professora universitária e pesquisadora
Literatura erótica, excessos e avessos
Performer, videoartista e terrorista poética
Sexualidade e erotismo no corpo DEF
Artista Visual
Caligrafias sensitivas e arte erótica japonesa
Psicóloga e pesquisadora
Amor, sexualidade e erotismo em relações descolonizadas e a partir da cosmogonia Guarani
Artista travesti, curadora do Love Cabaret
Erotismo, contraste e consciência
Escritora, palestrante e podcaster
Sexo e erotismo têm prazo de validade?
Dramaturga, diretora e pesquisadora
Dramaturgia, pornografia e erotismo
Cantora, arte educadora e ativista cultural
Voz, amor, erotismo e narrativas moçambicanas
Psicanalista, professor e pesquisador
As subversões do erótico
Psicólogo e psicanalista
Sexualidade e erotismo no corpo DEF
Idealizadores do espaço Intimidade Consciente
Intimidade, consciência e relacionamento vivo
Filósofo, professor e pesquisador
Amor e erotismo nas mitologias africanas, gregas e asiáticas
Filósofa, professora, poeta e psicanalista
O erotismo na poesia e na filosofia de Georges Bataille
“Gosto do entusiasmo das pessoas falando de coisas que elas amam”
Autoria desconhecida
Direção e Pesquisa
@maira_scombattiMaíra Scombatti é pesquisadora em múltiplas linguagens e psicoterapeuta de indivíduos, casais e grupos. Nascida na França em 1979, é brasileira desde 1980, com acentos do nordeste, sul e sudeste do país. Mãe do Theo e do Ian, iniciou seus trabalhos com as artes cências e concluiu graduações em jornalismo, pedagogia e psicologia. Entre 2020 e 2022, em meio aos atendimentos dos lutos e traumas da pandemia, desenvolveu o projeto "Cartas para Eros em tempos de Phobos", vislumbrando os primeiros caminhos para o documentário erōtikós.
Direção de Fotografia
@gutagalliGuta Galli é artista interdisciplinar e trabalha com performance, vídeo, fotografia e pintura, sempre usando o corpo como eixo em sua produção. Mãe do Nico, pós-graduada em fotografia e mestra em Artes com foco em novos gêneros da Arte contemporânea. Suas pesquisas estudam as interseções entre gênero, poder, raça e violência.
Montagem
@laraaufrancFormada em Cinema pela FAAP, Lara Aufranc trabalha como editora de filmes e documentários há 15 anos. Cantora e compositora, tem 3 discos lançados. Apresentou-se pelo Brasil, Portugal e Espanha. É narradora de audiolivros, pintora e responsável pela realização de seus videoclipes.
Direção Musical
@lennabahuleLenna Bahule é cantora, multi-artista, ativista cultural e mãe do Phantima. Natural de Moçambique, é pesquisadora das afro-culturas e movimentos sociais do seu país e outras diásporas africanas. Seu primeiro disco autoral (Nômade) esteve na lista dos 100 melhores discos produzidos no Brasil.
Edição dos Podcasts
@marianapleaoMariana Leão é bacharela em audiovisual pelo Centro Universitário Senac e técnica em áudio pelo IAV — Instituto de Áudio e Vídeo. Desde 2015, especializa-se na área de pós-produção de som, realizando a edição, sound design e mixagem de podcasts e obras audiovisuais. Em 2020, recebeu o Prêmio na categoria Melhor som com o média-metragem "A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite" no festival Brazil New Visions Film Fest. Atualmente é editora recorrente do podcast Mamilos e colabora na montagem e sonorização dos podcasts da Rádio Novelo.
Produção e design das redes sociais
@rizzi.izzirArtista visual, DJ e dançarina. Rizzi Tani é idealizadora do coletivo @jardim.sonoro e da performance RitualistiKa: um convite para se entregar à dança e à experiência erótica e poética que é o corpo em movimento. Mãe do Elohim, autodidata no design digital, é também professora de dança clássica indiana no estilo Odissi com estudos no Brasil e Índia. Conduz vivências e encontros com mulheres, pesquisando a sensualidade como ferramenta de auto-investigação e bem estar.
Produção
@daicalistoDaiane Calisto é artista multidisciplinar que se desenvolve pelas artes visuais, produtora, estudante de filosofia, pesquisadora de tecnologias ancestrais e mãe do João.
Criação Musical
@marialuana___Maria Luana é artista vocal, compositora, facilitadora de processos terapêuticos através da voz e mãe do Ariel. Criada entre a Costa Rica e o Brasil, já se apresentou na Argentina, Brasil e Uruguai e participou de projetos artísticos com o Coro Juvenil do Estado de SP, o grupo Nômade e a Orquestra do Corpo.
Iniciativas complementares ao projeto
Show com Lenna Bahule e Maria Luana
Participação especial Flávio Tris
Redoma Bixiga — 23/11/23
Evento com Maíra Scombatti
Online — 24/11/23
Grupo de estudos com Guta Galli
Online — De Abril/24 a Junho/24
Aula poética com Viviane Mosé
BONA Casa de Música SP — 19/06/24
Algumas das mensagens recebidas publicamente
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“O erotismo é a poesia do corpo assim como a poesia é o erotismo da linguagem”
Octavio Paz
O dicionário nos conta sobre um adjetivo relativo ao erotismo, o que tende a provocar amor ou desejo sexual e o que trata do amor sexual e o descreve. Sua etimologia é grega (erōtikós) e se relaciona à figura mitológica de Eros.
Também descrito como deus do amor, ainda em narrativas gregas, Eros pode ser filho de Afrodite (Vênus) ou ser um dos deuses primordiais nascido do Caos. Pode ser uma das forças que envolve o Cosmos e é preferido pelos olímpicos quando estes não querem mais se submeter a Ananke (necessidade). Pode ainda ser companheiro de Psiquê em suas jornadas ou o cupido romano que flecha novos amantes. Nas racionalidades platônicas, pode ser filho de Poros (riqueza) e Penia (penúria). Suas origens não são únicas, mas suas forças potencializam o encontro, a fusão, o vínculo e a criação.
Ainda que as mitologias mais difundidas no ocidente sejam as greco-romanas, imagens de Eros podem ser acessadas em diferentes narrativas e cosmogonias.
Como força de adesão, se alinha com a visão do pensamento chinês no hexagrama 30 do I Ching (o livro das mutações): O luminoso (Aderir), representado pelo fogo, fala da vida como vínculo e como tudo que é vivo precisa aderir a algo.
“Há um lugar onde chegar
Viviane Mosé
Um estado, uma postura
Onde tudo se completa.
Há, sim, um lugar, uma alegria
Onde não há mais letra
Apenas mãos que se dão
E não birra. Há um ponto
De fusão, onde tudo se abraça
E já não há mais frio
Na alma, apenas o calor
Do sagrado e do amor
A aderir o que separa”
Na mitologia Iorubá, Eros não é facilmente relacionável a um único orixá, mas a potência erótica é visível em diversas imagens como nos inícios de Exu e da Pomba Gira, na beleza de Oxum e no fogo de Xangô.
Na cultura Dagara, amar é escutar e um convite ao percurso da intimidade. Em narrativas Guarani, o deus Lua, Djatchy, mobiliza o amor e nos convida ao descanso também. E muito ainda podemos ampliar as compreensões sobre Eros pesquisando diferentes cosmogonias e representações.
“Amar é querer aprender, ensinam-nos os gregos. A esse aprendizado, soma-se outro fundamental, desta vez proveniente de culturas afro-indígenas: amar não é uma emoção individual, mas coletiva”
Renato Noguera
Junto à diversidade das imagens, quando falamos sobre o erotismo da fusão também lidamos com a supressão do limite, a suspensão da moral e potencialização dos corpos. O erótico também ameaça a ilusão de controle e, portanto, é constantemente reprimido em sociedades dogmáticas, patriarcais, colonizadoras e colonizadas. Não há estrutura de gestão da vida, de exercício do poder, que não passe pelo governo dos desejos.
E esse governo, quando opressor, se serve de uma série de discursos para se consolidar e colonizar os corpos desejantes. Corpos desvitalizados são mais facilmente dominados, deprimidos e diminuir o acesso ao erotismo facilita qualquer dominação. O oposto disso pode ser vivido no despertar do corpo político que pode se potencializar a partir da liberdade erótica.
“O erótico é esse cerne dentro de mim. Quando liberado de seu invólucro intenso e constritor, ele flui através de minha vida, colorindo-a com o tipo de energia que amplia e sensibiliza e fortalece toda minha experiência. [...] A sabedoria erótica nos empodera”.
Audre Lorde
Ao mesmo tempo, junto às relações com a força e a pulsão de vida, o erotismo também transitará em nossas pulsões de morte. A própria supressão dos limites para a fusão pode flertar com as pequenas mortes (petite mort descreve a experiência orgástica em francês) e evidenciar também nossas faltas, especialmente se estiver misturado ao romantismo.
Romper limites que antes definiam ou contornavam um corpo pode acessar a angústia humana, mas pode igualmente ampliar espaços para o novo e para o além do nosso umbigo.
“Quem é o verdadeiro sujeito da maioria dos poemas de amor? Não é a pessoa amada. É aquele buraco”
Anne Carson
Outra reflexão constante em pesquisas sobre o erotismo passa pela diferenciação entre o que é erótico e o que é pornográfico. Nunca será pacífica essa fronteira e todo tipo de complicação moral e estética entra em cena na hora de separar um conceito do outro. O que é erótico para um pode ser pornográfico para outro e pode ser interessante questionarmos o que de fato é importante diferenciar: a produção erótica ou pornográfica (seja em livros, filmes, músicas ou em qualquer arte visual) está a serviço da potencialização dos corpos ou da lógica colonialista e patriarcal?
Por fim (ou por inícios), a experiência erótica também se relaciona aos processos de investigação. Assim como a pesquisadora Anne Carson, “eu gostaria de entender por que essas duas atividades, apaixonar-se e passar a conhecer, me fazem sentir tão viva. Existe nessas atividades uma espécie de eletricidade. Elas não se parecem com mais nada, mas se parecem uma com a outra. Como?”.
erōtikós se propõe a investigar essa eletricidade que nos move e acende. Refletir sobre o erotismo como uma fonte de resistência, de transformação social e transgressão com o que nos oprime e despotencializa. Ampliar as cosmogonias de Eros para descolonizar nossos corpos e, nas palavras de Geni Núñez, reflorestar nosso imaginário e nossos desejos.
Que tenhamos espaços de pesquisas e experimentações... e que sejam também poéticas as descobertas.
“O desejo se move. Eros é um verbo”
Anne Carson