“A prática do amor é o antídoto mais poderoso contra as políticas de dominação”

bell hooks

Conceito

erōtikós é um documentário que amplia as mitologias de Eros e fala de amor, sexualidade e erotismo em eixos clínicos, estéticos e políticos.

Com uma equipe de mulheres que se propõem a investigar a eletricidade que nos move, acende e potencializa, o projeto cria novas narrativas eróticas a partir de conversas com artistas e pesquisadores que respondem às perguntas "como você se chama?" e "o que te (é) chama?", sustentadas pela escuta íntima da psicóloga e diretora do projeto Maíra Scombatti.

A pesquisa se desdobra em podcasts (com mais de 200 mil plays e presença no Top 20 do Spotify em 2023 e 2024), em um livro e no filme com lançamentos previstos para 2026.

Entrevistas

“O erotismo é uma das bases do conhecimento, tão indispensável quanto a poesia.”

Anaïs Nin
Abhiyana

Abhiyana

Escritora e podcaster

Literatura erótica e "Textos Putos"

Alexandre Coimbra Amaral

Alexandre Coimbra Amaral

Psicólogo e terapeuta de casal e famílias

A escuta do amor e do erotismo na clínica

Carmen Faustino

Carmen Faustino

Poeta, escritora e gestora cultural

De Audre Lorde ao Estado de Libido

Catarina Gushiken

Catarina Gushiken

Artista Visual

Caligrafias sensitivas e arte erótica japonesa

Céu Cavalcanti

Céu Cavalcanti

Psicóloga, pesquisadora e presidente do CRP — RJ

Transições, mitologias Iorubás, e o erotismo na clínica não binária

Dora Selva

Dora Selva

Artista da dança e da performance

A pelve e o movimento erótico

Eliane Robert Moraes

Eliane Robert Moraes

Professora universitária e pesquisadora

Literatura erótica, excessos e avessos

Estela Lapponi

Estela Lapponi

Performer, videoartista e terrorista poética

Sexualidade e erotismo no corpo DEF

Gal Oppido

Gal Oppido

Artista Visual

Caligrafias sensitivas e arte erótica japonesa

Geni Nuñez

Geni Nuñez

Psicóloga e pesquisadora

Amor, sexualidade e erotismo em relações descolonizadas e a partir da cosmogonia Guarani

Indra Haretrava

Indra Haretrava

Artista travesti, curadora do Love Cabaret

Erotismo, contraste e consciência

Isabel Dias

Isabel Dias

Escritora, palestrante e podcaster

Sexo e erotismo têm prazo de validade?

Janaína Leite

Janaína Leite

Dramaturga, diretora e pesquisadora

Dramaturgia, pornografia e erotismo

Lenna Bahule

Lenna Bahule

Cantora, arte educadora e ativista cultural

Voz, amor, erotismo e narrativas moçambicanas

Pedro Ambra

Pedro Ambra

Psicanalista, professor e pesquisador

As subversões do erótico

Pedro Musa

Pedro Musa

Psicólogo e psicanalista

Sexualidade e erotismo no corpo DEF

Pema e Thiago

Pema e Thiago

Idealizadores do espaço Intimidade Consciente

Intimidade, consciência e relacionamento vivo

Renato Noguera

Renato Noguera

Filósofo, professor e pesquisador

Amor e erotismo nas mitologias africanas, gregas e asiáticas

Viviane Mosé

Viviane Mosé

Filósofa, professora, poeta e psicanalista

O erotismo na poesia e na filosofia de Georges Bataille

Conheça nossa equipe

“Gosto do entusiasmo das pessoas falando de coisas que elas amam”

Autoria desconhecida
Maíra Scombatti

Direção e Pesquisa

@maira_scombatti

Maíra Scombatti é pesquisadora em múltiplas linguagens e psicoterapeuta de indivíduos, casais e grupos. Nascida na França em 1979, é brasileira desde 1980, com acentos do nordeste, sul e sudeste do país. Mãe do Theo e do Ian, iniciou seus trabalhos com as artes cências e concluiu graduações em jornalismo, pedagogia e psicologia. Entre 2020 e 2022, em meio aos atendimentos dos lutos e traumas da pandemia, desenvolveu o projeto "Cartas para Eros em tempos de Phobos", vislumbrando os primeiros caminhos para o documentário erōtikós.

Guta Galli

Direção de Fotografia

@gutagalli

Guta Galli é artista interdisciplinar e trabalha com performance, vídeo, fotografia e pintura, sempre usando o corpo como eixo em sua produção. Mãe do Nico, pós-graduada em fotografia e mestra em Artes com foco em novos gêneros da Arte contemporânea. Suas pesquisas estudam as interseções entre gênero, poder, raça e violência.

Lara

Montagem

@laraaufranc

Formada em Cinema pela FAAP, Lara Aufranc trabalha como editora de filmes e documentários há 15 anos. Cantora e compositora, tem 3 discos lançados. Apresentou-se pelo Brasil, Portugal e Espanha. É narradora de audiolivros, pintora e responsável pela realização de seus videoclipes.

Lenna Bahule

Direção Musical

@lennabahule

Lenna Bahule é cantora, multi-artista, ativista cultural e mãe do Phantima. Natural de Moçambique, é pesquisadora das afro-culturas e movimentos sociais do seu país e outras diásporas africanas. Seu primeiro disco autoral (Nômade) esteve na lista dos 100 melhores discos produzidos no Brasil.

Mariana Leão

Edição dos Podcasts

@marianapleao

Mariana Leão é bacharela em audiovisual pelo Centro Universitário Senac e técnica em áudio pelo IAV — Instituto de Áudio e Vídeo. Desde 2015, especializa-se na área de pós-produção de som, realizando a edição, sound design e mixagem de podcasts e obras audiovisuais. Em 2020, recebeu o Prêmio na categoria Melhor som com o média-metragem "A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite" no festival Brazil New Visions Film Fest. Atualmente é editora recorrente do podcast Mamilos e colabora na montagem e sonorização dos podcasts da Rádio Novelo.

Rizzi

Produção e design das redes sociais

@rizzi.izzir

Artista visual, DJ e dançarina. Rizzi Tani é idealizadora do coletivo @jardim.sonoro e da performance RitualistiKa: um convite para se entregar à dança e à experiência erótica e poética que é o corpo em movimento. Mãe do Elohim, autodidata no design digital, é também professora de dança clássica indiana no estilo Odissi com estudos no Brasil e Índia. Conduz vivências e encontros com mulheres, pesquisando a sensualidade como ferramenta de auto-investigação e bem estar.

Daiane Calisto

Produção

@daicalisto

Daiane Calisto é artista multidisciplinar que se desenvolve pelas artes visuais, produtora, estudante de filosofia, pesquisadora de tecnologias ancestrais e mãe do João.

Maria Luana

Criação Musical

@marialuana___

Maria Luana é artista vocal, compositora, facilitadora de processos terapêuticos através da voz e mãe do Ariel. Criada entre a Costa Rica e o Brasil, já se apresentou na Argentina, Brasil e Uruguai e participou de projetos artísticos com o Coro Juvenil do Estado de SP, o grupo Nômade e a Orquestra do Corpo.

Ouça o Podcast

Capa do podcast erotikos no Spotify

A pesquisa se desdobra em podcasts com mais de 200 mil plays e presença no Top 20 do Spotify em 2023 e 2024. Em cada episódio, convidados respondem às perguntas "como você se chama?" e "o que te (é) chama?".

Eventos e Cursos

Iniciativas complementares ao projeto

Show erotikós em sons

Show erotikós em sons

Show com Lenna Bahule e Maria Luana

Participação especial Flávio Tris
Redoma Bixiga — 23/11/23

Eros em cena

Eros em cena

Evento com Maíra Scombatti

Online — 24/11/23

Erotismo e Artes Visuais

Erotismo e Artes Visuais

Grupo de estudos com Guta Galli

Online — De Abril/24 a Junho/24

Erotismo e transgressão

Erotismo e transgressão

Aula poética com Viviane Mosé

BONA Casa de Música SP — 19/06/24

Depoimentos

Algumas das mensagens recebidas publicamente

Argumento

“O erotismo é a poesia do corpo assim como a poesia é o erotismo da linguagem”

Octavio Paz

O que é o erótico?

O dicionário nos conta sobre um adjetivo relativo ao erotismo, o que tende a provocar amor ou desejo sexual e o que trata do amor sexual e o descreve. Sua etimologia é grega (erōtikós) e se relaciona à figura mitológica de Eros.

Também descrito como deus do amor, ainda em narrativas gregas, Eros pode ser filho de Afrodite (Vênus) ou ser um dos deuses primordiais nascido do Caos. Pode ser uma das forças que envolve o Cosmos e é preferido pelos olímpicos quando estes não querem mais se submeter a Ananke (necessidade). Pode ainda ser companheiro de Psiquê em suas jornadas ou o cupido romano que flecha novos amantes. Nas racionalidades platônicas, pode ser filho de Poros (riqueza) e Penia (penúria). Suas origens não são únicas, mas suas forças potencializam o encontro, a fusão, o vínculo e a criação.

Ainda que as mitologias mais difundidas no ocidente sejam as greco-romanas, imagens de Eros podem ser acessadas em diferentes narrativas e cosmogonias.

Como força de adesão, se alinha com a visão do pensamento chinês no hexagrama 30 do I Ching (o livro das mutações): O luminoso (Aderir), representado pelo fogo, fala da vida como vínculo e como tudo que é vivo precisa aderir a algo.

“Há um lugar onde chegar
Um estado, uma postura
Onde tudo se completa.
Há, sim, um lugar, uma alegria
Onde não há mais letra
Apenas mãos que se dão
E não birra. Há um ponto
De fusão, onde tudo se abraça
E já não há mais frio
Na alma, apenas o calor
Do sagrado e do amor
A aderir o que separa”

Viviane Mosé

Na mitologia Iorubá, Eros não é facilmente relacionável a um único orixá, mas a potência erótica é visível em diversas imagens como nos inícios de Exu e da Pomba Gira, na beleza de Oxum e no fogo de Xangô.

Na cultura Dagara, amar é escutar e um convite ao percurso da intimidade. Em narrativas Guarani, o deus Lua, Djatchy, mobiliza o amor e nos convida ao descanso também. E muito ainda podemos ampliar as compreensões sobre Eros pesquisando diferentes cosmogonias e representações.

“Amar é querer aprender, ensinam-nos os gregos. A esse aprendizado, soma-se outro fundamental, desta vez proveniente de culturas afro-indígenas: amar não é uma emoção individual, mas coletiva”

Renato Noguera

Junto à diversidade das imagens, quando falamos sobre o erotismo da fusão também lidamos com a supressão do limite, a suspensão da moral e potencialização dos corpos. O erótico também ameaça a ilusão de controle e, portanto, é constantemente reprimido em sociedades dogmáticas, patriarcais, colonizadoras e colonizadas. Não há estrutura de gestão da vida, de exercício do poder, que não passe pelo governo dos desejos.

E esse governo, quando opressor, se serve de uma série de discursos para se consolidar e colonizar os corpos desejantes. Corpos desvitalizados são mais facilmente dominados, deprimidos e diminuir o acesso ao erotismo facilita qualquer dominação. O oposto disso pode ser vivido no despertar do corpo político que pode se potencializar a partir da liberdade erótica.

“O erótico é esse cerne dentro de mim. Quando liberado de seu invólucro intenso e constritor, ele flui através de minha vida, colorindo-a com o tipo de energia que amplia e sensibiliza e fortalece toda minha experiência. [...] A sabedoria erótica nos empodera”.

Audre Lorde

Ao mesmo tempo, junto às relações com a força e a pulsão de vida, o erotismo também transitará em nossas pulsões de morte. A própria supressão dos limites para a fusão pode flertar com as pequenas mortes (petite mort descreve a experiência orgástica em francês) e evidenciar também nossas faltas, especialmente se estiver misturado ao romantismo.

Romper limites que antes definiam ou contornavam um corpo pode acessar a angústia humana, mas pode igualmente ampliar espaços para o novo e para o além do nosso umbigo.

“Quem é o verdadeiro sujeito da maioria dos poemas de amor? Não é a pessoa amada. É aquele buraco”

Anne Carson

Outra reflexão constante em pesquisas sobre o erotismo passa pela diferenciação entre o que é erótico e o que é pornográfico. Nunca será pacífica essa fronteira e todo tipo de complicação moral e estética entra em cena na hora de separar um conceito do outro. O que é erótico para um pode ser pornográfico para outro e pode ser interessante questionarmos o que de fato é importante diferenciar: a produção erótica ou pornográfica (seja em livros, filmes, músicas ou em qualquer arte visual) está a serviço da potencialização dos corpos ou da lógica colonialista e patriarcal?

Por fim (ou por inícios), a experiência erótica também se relaciona aos processos de investigação. Assim como a pesquisadora Anne Carson, “eu gostaria de entender por que essas duas atividades, apaixonar-se e passar a conhecer, me fazem sentir tão viva. Existe nessas atividades uma espécie de eletricidade. Elas não se parecem com mais nada, mas se parecem uma com a outra. Como?”.

erōtikós se propõe a investigar essa eletricidade que nos move e acende. Refletir sobre o erotismo como uma fonte de resistência, de transformação social e transgressão com o que nos oprime e despotencializa. Ampliar as cosmogonias de Eros para descolonizar nossos corpos e, nas palavras de Geni Núñez, reflorestar nosso imaginário e nossos desejos.

Que tenhamos espaços de pesquisas e experimentações... e que sejam também poéticas as descobertas.

Apoio / Co-produção

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Bibliografia

“O desejo se move. Eros é um verbo”

Anne Carson
  • AMBRA, Pedro (org). "As subversões do erótico". Cult, 2022.
  • BATAILLE, Georges. "O Erotismo". São Paulo: ARX, 2004.
  • CARSON, Anne. "Eros: o doce amargo". Tradução de Julia Raiz. 1a ed. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2022.
  • DESPENTES, Virginie. "Teoria King Kong". N-1 edições, 2016.
  • GALASSO, Roberto. "As núpcias de Cadmo e Harmonia". Companhia das Letras, 1990.
  • GONZALES, Lélia. "Racismo e sexismo na cultura brasileira" — artigo publicado no livro "Pensamento feminista brasileiro", de Heloisa Buarque de Holanda (org). Editora Bazar do Tempo, 2019.
  • HAN, Byung-Chul. "Agonia do Eros". Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
  • HILLMAN, James. "Loucura cor de rosa ou por que Afrodite leva os homens à loucura com pornografia?" Cadernos Junguianos, 2007.
  • HOOKS, bell. "Tudo sobre o amor: novas perspectivas". São Paulo: Elefante, 2020.
  • LEITE, Janaína. "Ensaios sobre o feminino e a abjeção na ob-scena contemporânea". Tese (Doutorado em Teoria e Prática do Teatro) — Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.
  • LORDE, Audre. "Usos do erótico: o erótico como poder". Original. Use of the Erotic: The Erotic as Power, in: LORDE, Audre. Sister outsider. New York: The Crossing Press Feminist Series, 1984.
  • MARCUSE, Herbert. "Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud". Tradução de Álvaro Cabral, 8 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
  • MICHAELIS: Dicionário brasileiro da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2022.
  • MOSÉ, Viviane. "Calor". Rio de Janeiro: Usina Pensamento, 2017.
  • MOSÉ, Viviane. "Frio". Rio de Janeiro: Usina Pensamento, 2017.
  • MOSÉ, Viviane. "O amor primordial — e agora?". YouTube, 2022.
  • NOGUERA, Renato. "Por que amamos? O que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor". Rio de Janeiro: Harper Collins, 2022.
  • NÚÑEZ, Geni. "Monoculturas do pensamento e a importância do reflorestamento do imaginário". ClimaCom – Diante dos Negacionismos [online], Campinas, ano 8, n. 21. novembro 2021.
  • NÚÑEZ, Geni. "Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar". Editora Planeta, 2023.
  • OPPIDO, Gal e GUSHIKEN, Catarina. "Caligrafias Sensitivas". Editora Reviver, 2021.
  • OSHO. "Tantra, amor e meditação". Editora Ícone, 2018.
  • PAZ, Octavio. "A dupla chama: amor e erotismo". Editora Siciliano, 1995.
  • PEREL, Esther. "Sexo no cativeiro". Editora Objetiva, 2007.
  • PEREL, Esther. "Casos e Casos: repensando a infidelidade". Editora Objetiva, 2018.
  • PRECIADO, Paul B. "Um apartamento em Urano: crônicas da travessia". Editora Zahar, 2020.
  • REICH, William. "A função do orgasmo". Editora Brasiliense, 1994.
  • REICH, William. "Análise do Caráter". Editora Martins Fontes, 2001.
  • SAFATLE, Vladimir. "Falar de sexo: clínica, estética e política". Curso do IPUSP, 2021.
  • SOMÉ, Sobonfu. "O espírito da intimidade: ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar". Odysseus, 2009.
  • SOLNIK, Alexandre. "Pobreza e Recurso geram o Amor". Mitologia — Vol. 1. Abril Cultural — Mitologia Greco-Romana. ed.Abril, 1973.